Curiosidades sobre a historia da lingerie

Grade de seis imagens em manequins de museu ilustrando a evolução histórica da lingerie desde a Antiguidade, passando por espartilhos vitorianos, sutiãs dos anos 1920 e 1950, até peças modernas do século XXI

Evolução da Lingerie: Painel histórico ilustrando as transformações no design e nos materiais das roupas íntimas femininas através dos séculos, destacando as peças da Antiguidade, os corpetes e espartilhos estruturados (Séculos XVI ao XIX), a leveza dos primeiros brassieres (Anos 1920), a silhueta modelada dos anos 1950 e o design tecnológico contemporâneo. Foto: Criação exclusiva para Meu Jeito Moldes/ Gerada via Inteligência Artificial para fins de ilustração educacional.

A lingerie que conhecemos hoje passou por uma longa transformação até chegar aos modelos encontrados nas lojas. Sutiãs, calcinhas, bodies, cintas e outras peças íntimas fazem parte da rotina, mas nem sempre tiveram o mesmo formato, a mesma função ou até o mesmo significado.

Muito antes de existirem rendas, tecidos elásticos e modelos desenvolvidos para diferentes tipos de corpo, as roupas usadas por baixo dos vestidos tinham funções principalmente práticas: proteger o corpo, dar sustentação, aquecer e ajudar a construir a silhueta desejada pela moda de cada época.

Ao longo dos séculos, essas peças acompanharam as mudanças na maneira de vestir e também os avanços nos tecidos, na costura e na fabricação de roupas. Por isso, conhecer a história da lingerie é uma forma interessante de entender também um pouco da própria história da moda.

Neste artigo, vamos conhecer algumas das principais transformações das roupas íntimas femininas, desde a Antiguidade até os modelos atuais.

As origens da lingerie

Não existe uma única data que possa ser considerada o início da lingerie. Diferentes povos já utilizavam faixas, tecidos e outras peças para cobrir ou sustentar partes do corpo muito antes de existir o conceito moderno de roupa íntima.

No Egito Antigo, por exemplo, as roupas femininas eram confeccionadas principalmente com tecidos leves, como o linho. Há registros e representações de diferentes formas de vestuário utilizadas junto ao corpo. Na Grécia Antiga, as mulheres também utilizavam faixas de tecido para envolver e sustentar o busto.

Especialmente as peças de linho também tinham uma função prática na higiene. Usadas em contato mais direto com o corpo, ajudavam a absorver o suor e outras secreções, enquanto sua facilidade de lavagem permitia que essas peças fossem limpas com mais frequência. Assim, contribuíam para manter a pele e as roupas externas mais limpas.

É importante corrigir uma ideia bastante repetida sobre esse período: a imagem de mulheres usando constantemente corpetes de ferro para moldar o corpo não representa de maneira adequada a realidade da roupa íntima medieval. Os corpetes estruturados que hoje associamos aos espartilhos pertencem principalmente a períodos posteriores.

Isso mostra como a história da lingerie é cheia de informações que acabaram sendo simplificadas ou repetidas ao longo do tempo.

O surgimento dos corpetes e espartilhos

Entre os séculos XVI e XVIII, as roupas usadas sob os vestidos começaram a desempenhar uma função cada vez mais importante na construção da silhueta.

Os corpetes ajudavam a sustentar o tronco e a dar estrutura ao corpo sob as roupas. Mais tarde, os espartilhos passaram a ser confeccionados com materiais rígidos que permitiam criar diferentes formatos.

Durante os séculos XVIII e XIX, a silhueta feminina desejada pela moda mudou várias vezes. Os espartilhos acompanharam essas mudanças, sendo adaptados para alterar visualmente a posição da cintura, do busto e dos quadris.

Um exemplo preservado pelo Metropolitan Museum of Art é um espartilho do início do século XIX, mostrando como essas peças eram construídas para sustentar o corpo e ajudar a criar a silhueta da época. O museu possui também uma grande coleção de espartilhos que permite observar as mudanças de formato e de materiais ao longo de quase dois séculos.

Corset espanhol antigo feito de seda clara com detalhes de costura e amarrações, exposto de frente sobre um fundo neutro no museu The Met.

Corset histórico de seda (início do século XVIII): Peça de origem espanhola que exemplifica a transição da modelagem e sustentação rígida na moda europeia antes da industrialização do vestuário. Foto: The Metropolitan Museum of Art, New York (Costume Institute / Gift of Mr. Claggett Wilson, 1946).

A lingerie começa a mudar no século XIX

O século XIX trouxe diversas mudanças para as roupas íntimas. Além dos espartilhos, outras peças passaram a fazer parte do vestuário feminino, como combinações, anáguas, calças íntimas e diferentes tipos de cintas.

A produção de roupas também foi se tornando cada vez mais industrializada, e novos materiais e técnicas contribuíram para a fabricação de peças em maior quantidade.

Os espartilhos continuavam importantes, mas os fabricantes também buscavam maneiras de melhorar seu ajuste e proporcionar maior liberdade de movimento. Uma coleção do Metropolitan Museum mostra justamente essa evolução, com peças que utilizavam materiais como algodão, metal, barbatanas e elástico.

Foi também nesse período que começaram a surgir peças que se aproximavam mais do conceito moderno de sutiã. No final do século XIX e início do século XX, diferentes modelos de brassiere e peças de sustentação do busto começaram a aparecer.

Isso significa que o sutiã não surgiu de repente. Ele foi resultado de uma evolução gradual de diferentes peças utilizadas para sustentar e modelar o busto.

O início do século XX e o surgimento do sutiã moderno

Uma das grandes transformações da história da lingerie aconteceu no início do século XX.

Já existiam modelos semelhantes ao sutiã antes disso. O Metropolitan Museum, por exemplo, possui peças classificadas como brassiere datadas de 1912–1913 e outras do início do século XX.

Um dos nomes mais conhecidos dessa história é Mary Phelps Jacob, posteriormente conhecida como Caresse Crosby. Em 1914, ela patenteou um modelo de brassiere que oferecia uma alternativa mais leve ao espartilho. A patente procurava solucionar, entre outras coisas, o desconforto causado pelos cordões e pela estrutura do espartilho sob determinados vestidos.

Você sabia?

O Metropolitan Museum considera a criação patenteada por Mary Phelps Jacob, em 1914, um marco na história do brassiere moderno. E o interessante é que o próprio acervo do museu mostra que já existiam peças semelhantes antes dessa patente.

Ou seja: a história do sutiã não tem exatamente um único inventor. O modelo moderno foi resultado de várias experiências e transformações.

A lingerie na década de 1920

Na década de 1920, a moda feminina passou por uma mudança importante. A silhueta reta e mais alongada ganhou espaço, especialmente com a moda associada às flappers.

A lingerie acompanhou essa transformação. Os sutiãs da época podiam ser mais simples e menos estruturados, ajudando a criar uma aparência mais reta.

O Metropolitan Museum possui um brassiere francês da década de 1920 feito de seda e algodão. A peça é descrita pelo museu como leve em comparação aos antigos espartilhos e foi pensada para a silhueta mais reta valorizada naquele período.

Sutiã de batiste de algodão com bordados (Cerca de 1920): Peça histórica com delicados detalhes florais atribuída à icônica maison de alta costura de Paul Poiret, marcando o início da transição definitiva para as lingeries modernas e mais leves do século XX. Foto: Palais Galliera, musée de la Mode de la Ville de Paris / Paris Musées

Dos anos 1930 aos anos 1950

Nas décadas seguintes, a lingerie continuou acompanhando as mudanças na moda.

Durante os anos 1930, a silhueta voltou a ganhar mais definição, e os materiais elásticos passaram a ter maior importância na construção das peças.

Nos anos 1940, a Segunda Guerra Mundial afetou a indústria e a disponibilidade de diversos materiais. Como aconteceu com muitas outras peças de vestuário, a lingerie também precisou se adaptar às condições daquele período.

Depois da guerra, a moda voltou a valorizar uma silhueta mais marcada. Durante os anos 1950, os sutiãs passaram a apresentar estruturas diferentes, com modelos que ajudavam a levantar, separar ou modelar o busto.

A lingerie estava cada vez mais ligada não apenas à função de vestir o corpo, mas também à criação da silhueta que estava em moda.

Quatro modelos posando em uma página de revista vintage dos anos 1950, vestindo lingeries da época como sutiãs bala cônicos, cintas modeladoras de cintura alta e meias de nylon com costura posterior

Moda íntima nos anos 1950 (Anúncio fictício estilo “Gossard”): Ilustração editorial em formato de página de revista antiga (vintage ad), demonstrando a clássica silhueta ampulheta e a variedade de peças estruturadas da década, incluindo sutiãs bala (bullet bras), cintas modeladoras de cintura alta (girdles) e meias de nylon com costura posterior. Foto: Criação exclusiva para Meu Jeito Moldes / Gerada via Inteligência Artificial para fins de ilustração educacional e reconstituição de época.

Dos anos 1960 aos dias atuais

A partir dos anos 1960, as roupas femininas passaram por novas transformações. Modelos mais leves, tecidos sintéticos e peças com diferentes níveis de sustentação começaram a ganhar espaço.

Também houve períodos em que o uso do sutiã foi questionado, enquanto a moda passou a explorar roupas mais soltas e decotes diferentes. Nas décadas de 1970 e 1980, a lingerie ganhou novas possibilidades estéticas, com maior presença de rendas, cores, transparências e modelos que passaram a ser incorporados também à moda.

A lingerie deixou gradualmente de ser apenas uma estrutura escondida sob as roupas. Alguns modelos passaram a aparecer de maneira intencional, aproximando a roupa íntima da moda.

A lingerie hoje

Atualmente, a lingerie reúne características que foram sendo desenvolvidas ao longo de séculos.

Existem peças pensadas para diferentes necessidades: modelos básicos para o dia a dia, peças esportivas, sutiãs com diferentes níveis de sustentação, calcinhas de vários formatos, bodies, cintas, peças sem costura e conjuntos mais elaborados.

Os tecidos também mudaram bastante. Algodão, renda, microfibra, tecidos com elastano, tule e diferentes tipos de malhas permitem criar peças que combinam conforto, elasticidade, sustentação e acabamento.

A escolha de uma lingerie hoje pode estar relacionada tanto à praticidade quanto ao estilo pessoal. Uma mesma mulher pode ter modelos diferentes para situações diferentes, escolhendo uma peça de acordo com a roupa que vai usar, o nível de conforto desejado ou simplesmente sua preferência.

Design contemporâneo: Modelagens atuais que unem estética e sustentação à diversidade de corpos e tecidos tecnológicos.
Foto: Acervo pessoal / Meu Jeito Moldes.

Design contemporâneo: Modelagens atuais que unem estética e sustentação à diversidade de corpos e tecidos tecnológicos. Foto: Acervo pessoal / Meu Jeito Moldes.

Curiosidades que a história da lingerie revela

A evolução da lingerie mostra que as peças íntimas nunca foram apenas detalhes escondidos sob a roupa.

Elas acompanharam as mudanças na moda e, muitas vezes, foram fundamentais para criar a silhueta desejada em determinado período.

Também é curioso perceber que algumas peças consideradas tradicionais atualmente passaram por muitas transformações antes de chegar aos modelos que conhecemos. O sutiã, por exemplo, teve diversos antecessores e formatos antes de se tornar uma peça comum no guarda-roupa feminino.

Outra curiosidade é que muitos exemplares antigos ainda podem ser estudados atualmente. Museus como o Metropolitan Museum of Art e o Smithsonian mantêm coleções e registros que ajudam pesquisadores e interessados em moda a entender como essas peças eram produzidas e utilizadas.

O Smithsonian, inclusive, possui em seu acervo obras dedicadas especificamente à história da lingerie e das roupas íntimas, mostrando que esse assunto faz parte da história do vestuário e da cultura material.

Uma história que continua

A história da lingerie está longe de ser apenas uma sequência de modelos que entraram e saíram de moda.

Desde as primeiras peças usadas para cobertura e sustentação até os modelos atuais, as roupas íntimas acompanharam mudanças nos costumes, na moda, nos materiais e nas técnicas de fabricação.

Os antigos tecidos de linho deram lugar a uma enorme variedade de materiais. Os corpetes e espartilhos foram sendo substituídos ou complementados por peças mais leves. Os primeiros brassieres abriram caminho para os inúmeros modelos de sutiãs que existem atualmente. E essa transformação continua.

A lingerie de hoje é resultado de tudo o que veio antes dela, mas também está sendo modificada pelas novas tecnologias, pelos tecidos e pelas necessidades de quem a utiliza.

Conhecer essa história torna ainda mais interessante olhar para uma simples calcinha ou um sutiã e perceber que, por trás de cada modelagem, tecido e acabamento, existe uma longa história de transformações.

Para elevar seu conhecimento: o Metropolitan Museum of Art mantém uma coleção de peças históricas de lingerie e brassieres, que pode ser uma ótima fonte para conhecer alguns desses modelos preservados ao longo do tempo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Carrinho de compras